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terça-feira, 26 de agosto de 2014

A difícil definição de religião

Como definir o que é religião? Esta não é uma tarefa fácil, porém sabemos da importância da religião, presente em toda a história da vida humana. As religiões têm como base as questões existenciais, ou seja, tentam explicar de onde viemos, por que viemos, para onde vamos, o que somos, etc... Ela é um constituinte muito importante da nossa visão de mundo e do modo como agimos na sociedade. Porém, uma das problematizações que podem ser feitas quanto à religião é: até que ponto nós escolhemos a nossa visão de mundo / seria ela realmente nossa? Em uma aula de Teorias da Justiça nesse quadrimestre, o professor nos apresentou o autor Alasdair MacIntyre, que argumenta que devemos levar em conta o contexto no qual o indivíduo está inserido, o seu entorno, para as discussões morais. Ou seja, nem tudo o que indivíduo considera como o correto (a religião inclusive) partiu exclusivamente dele; na verdade, nada partiu, afinal não somos seres isolados, vivemos em sociedade e nos influenciamos mutuamente a toda hora. Porém esta discussão é interessante porque faz com que os indivíduos comecem a questionar seus ideais e até mesmo sua religião, pois passam a se perguntar se eles realmente acreditam naquilo ou se só foram impostos a isso, se são um fruto do meio. A verdade é que somos híbridos do social e do individual, mas nem por isso devemos abandonar nossos ideais religiosos, somente questioná-los para não cairmos em um fundamentalismo cego.
Outras questões relacionadas à definição de religião são as das comparações entre diferentes religiões. Enquanto alguns acreditam ser impossível compará-las, as vezes por acreditarem que só uma é a correta e as outros portanto desprezíveis, outros acreditam que para definirmos religião precisamos encontrar um mínimo denominador comum entre as tantas diferentes religiões. Será que há algo em comum nas atividades religiosas? Os participantes compartilham sentimentos semelhantes? A significação da atividade é a mesma?
Acredito que utilizando-se de um olhar laico podemos encontrar semelhanças e diferenças entre as religiões, porém sempre se lembrando do olhar "MacIntyriano" sob o entorno e o meio. (Apesar deste olhar criar certo relativismo, MacIntyre não defendia o relativismo total, no qual não há padrões e tudo é válido, mas uma busca pelo ideal através de um processo que nunca terminará. No âmbito da religião,  este olhar seria equivalente a não definir uma religião como a certa e ideal e excluir as outras, porém também não aceitar tudo e qualquer coisa pelo simples fato de ser um ideal religioso, como no caso do desrespeito aos direitos humanos.)
Uma definição interessante de religião, que parece encontrar uma semelhança entre todas as religiões, é de C. P. Tiele (1830-1902):

"Religião significa a relação entre o homem e o poder sobre-humano no qual ele acredita ou do qual se sente dependente. Essa relação se ex-pressa em emoções especiais (confiança, medo), conceitos (crença) e ações (culto e ética)". 

Um termo importante para todas as religiões é o "sagrado", também de difícil definição. O sagrado traz a ideia de admiração, atração, mas ao mesmo tempo espanto e temor, além de ser único e quase indescritível. Ele retrata bem a ideia do poder sobre-humano como na definição de Tiele.
As religiões podem ser estudadas e comparadas em diversos âmbitos. No livro "O livro das religiões", uma das bases para esse blog e essa postagem, são definidos 4 âmbitos: conceito (crença), cerimônia, organização, e experiência.  Estas também podem ser vistas como semelhanças entre as religiões, e portanto constituintes e definidoras das mesmas.
Concluindo, mesmo que seja difícil definir religião, podemos e devemos tentar defini-la e discuti-la, para que se aprenda não só sobre a sua ou as outras religiões mas sobre você mesmo e sua própria visão de mundo. Além disso, um conceito muito importante ligado a religião hoje em dia é o da tolerância. As diferentes religiões não estão mais isoladas e separadas por fronteiras: elas coexistem num mesmo espaço e por isso é preciso respeitá-las, mesmo que não se acredite no que elas pregam. Como muitas vezes a intolerância se dá pela conhecimento insuficiente e superficial da religião alheia, o estudo sobre as religiões é importante para quebrar preconceitos e imagens pré-estabelecidas de determinadas religiões e assim gerar a compreensão e consequentemente, o respeito. A imagem que escolhi para o meu blog representa exatamente isso: a palavra "Coexist" (coexistir em inglês) escrita através dos diferentes símbolos sagrados para diferentes religiões.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Redes sociais e auto estima

Apesar de ter como tema central a religião, tive algumas ideias de outros temas principalmente por causa do meu projeto no blog em grupo.  No grupo vamos tratar da relação entre o indivíduo e o todo, entre como ele se vê e como é visto. Por isso, tive a ideia de tratar da necessidade de ser visto que é cada vez mais crescente com as redes sociais por exemplo, e o que isso implica na auto estima e auto imagem dos usuários da mesma.
Recentemente li duas notícias sobre redes sociais que me chamaram a atenção. Uma delas é sobre um site que funciona como um banco de imagens para perfis fakes nas redes sociais. Nesse caso, algumas pessoas oferecem suas fotos livremente para serem usadas por aqueles que não estão satisfeitos com a sua imagem real por exemplo, e por isso utilizam fotos de outras pessoas na sua rede social ou fingem ser alguém que não são. Os perfis fakes podem ser um ótimo exemplo de falta de auto estima e insatisfação consigo mesmo, afinal muitos acreditam que só conseguiriam fazer amigos nas redes sociais se tivessem uma imagem que eles mesmo consideram mais bonita e aceitável do que a sua própria. Mas por que tantas pessoas pensam assim?
A outra notícia que vi é de uma blogueira que recebeu um email com uma proposta interessante sobre as redes sociais. A proposta, de uma empresa real, era a seguinte: por uma certa quantidade de dinheiro, seriam providenciados para ela mais curtidas, seguidores ou amigos em qualquer rede social que ela escolhesse. Assim os seus amigos e seguidores reais veriam o quanto ela era apreciada e sua reputação melhoraria. Como já mencionei, esta empresa é real, ou seja, alguns realmente se importam tanto com a sua imagem nas redes sociais a ponto de pagar para terem mais visibilidade. Mas o que isso tudo diz sobre a auto imagem e auto estima dessas pessoas?
A verdade é que muito do que nós pensamos sobre nós mesmos tem relação com o que a sociedade pensa de nós, se para ela somos aceitáveis ou não. Por exemplo, será que fomos nós que decidimos achar o Brad Pitty e a Angelina Jolie bonitos, ou nos disseram a vida toda que é esse tipo de aparência que deve ser considerada bonita? Somos bombardeados todos os dias com propagandas e exemplos na mídia que nos fazem pensar que devemos ser daquele jeito para sermos considerados bonitos e sermos aceitos, e assim nos é imposto um padrão de beleza quase impossível de ser alcançado. É claro que todos querem ser considerados bonitos, querem ser aceitos pelos outros, afinal ninguém consegue viver plenamente feliz sozinho. E então quando você se percebe mesmo que minimamente fora do padrão de beleza, passa a se sentir mal consigo mesmo, a rejeitar sua própria identidade, a ferir sua auto imagem. Como no conceito de alteridade, o eu individual só existe na interação com o outro, e assim você passa a se definir de acordo com o que os outros pensam sobre você ou impõe que você deveria ser.
Assim estas notícias nos fazem pensar até onde as pessoas vão para serem aceitas, mesmo que no fundo estejam vivendo uma mentira (como quando fazem um perfil fake ou compram visibilidade nas redes sociais). E isso mostra o quanto este é um tema complexo, porque envolve uma relação muito forte entre indivíduo e sociedade se influenciando mutuamente, entre a auto imagem e a imagem esperada pelos outros. Porém acredito que o principal seja pensarmos na nossa identidade e na nossa auto imagem sem acreditar tão piamente nos padrões de beleza impostos a nós. Nem precisamos entrar no discurso de que "as aparências não importam". Elas podem importar, mas não precisamos seguir estes padrões. Pessoas normais, não construídas pela mídia, podem e devem ser consideradas bonitas também! E nós não precisamos nos punir por não nos encaixarmos nos padrões - a verdade é que ninguém realmente se encaixa, afinal a perfeição não existe (um exemplo interessante é o photoshop que é usado em quase todas as imagens vendidas para nós como o padrão, e como esta ferramenta pode ser enganadora, como é mostrado com humor neste vídeo).

Muito vídeos musicais também tratam do assunto:

Colbie Caillat - Try
Lily Allen - The Fear
Christina Aguilera - Beautiful
Radiohead - Creep




segunda-feira, 7 de julho de 2014

Introdução

A religião esteve presente na história da humanidade desde os primórdios, inclusive ajudando a escrevê-la e passá-la adiante. Alguns pensam na religião como um sinal de fraqueza do homem, que não consegue explicar tudo sozinho e por isso tem que recorrer a uma explicação divina. Outros acreditam piamente que sua respectiva religião é a verdade e deve ser seguida não só por ele mas por todos. Por terem surgido há muito tempo e tratarem de temas sobre os quais dificilmente encontramos provas empíricas, as religiões se tornam um tema especialmente problemático no âmbito acadêmico. Porém, o objetivo deste blog não é declarar uma religião (ou a religião num geral) como válida ou não, mas conhecer diversas religiões e relacioná-las com a cultura na qual surgiram, o sentimento de pertencimento e identidade dos seus seguidores e sua história e principais ideais. Escolhi este tema pois, além de acreditar que há uma relação muito forte entre a religião, a cultura e a identidade, me interesso por conhecer mais sobre diversas religiões, já que eu mesma não possuo uma definida. Assim, pretendo escolher algumas entre as maiores religiões no mundo contemporâneo e analisar uma a cada semana, com o auxílio teórico do livro "O Livro Das Religiões" (HELLERN, GAARDER, NOTAKER) e se possível entrevistarei um adepto de cada religião. Acredito que este projeto terá uma importância não só acadêmica mas pessoal, pois mesmo que eu não me torne adepta de nenhuma religião em especial, poderei conhecê-las e "pegar emprestado" para o meu dia a dia partes das teorias que fizerem sentido para mim.

 "O Livro Das Religiões": http://books.google.com.br/books/about/O_livro_das_religi%C3%B5es.html?id=P1TX402tAOEC&redir_esc=y